12 séries de TV sobre diplomacia, política e relações internacionais para maratonar

Atualmente, as séries de televisão se tornaram parte de um dos maiores lazeres na vida do brasileiro. De canais abertos e via satélite a serviços de streaming e sites de download, encontramos um extenso catálogo das mais variadas produções televisivas.

Sabemos que a história mundial é uma fonte inesgotável de inspiração para novos roteiros, com direito a explorar relatos de vários lados e visões. Não à toa, há uma grande variedade de programas que se situam desde Grécia Antiga e invasões bárbaras aos acontecimentos mais atuais, como a política nos Estados Unidos e conflitos internacionais.

Pensando nisso, o Instituto Global Attitude reuniu 12 séries de TV que dialogam sobre assuntos como diplomacia, política e relações internacionais, indo além das produções americanas. Prepare a pipoca, cheque a pilha do controle remoto e confira abaixo a lista:

Occupied (2015 – )
Considerada a produção mais cara e bem sucedida da Noruega, a série foi recentemente renovada para sua terceira temporada e se passa em um fictício futuro próximo, onde o Partido Verde norueguês sobe ao poder e acaba com a produção de gás e combustíveis baseados em carbono. A medida causa uma crise energética na Europa e a Rússia, com o apoio da União Europeia, ocupa o país numa tentativa de restaurar a produção e tomar o controle, com apoio dos Estados Unidos.

Assim como na premiada série The Handmaid’s Tale, Occupied oferece um tipo de ficção que faz pensar no quanto a situação, ainda que absurda, poderia ter um desenvolvimento similar na vida real.

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Fauda (2015 – )
Produção israelense, baseada na própria experiência dos criadores Lior Razand e Avi Issacharoff, quando estiveram nas Forças de Defesa de Israel. A série, cujo nome significa em árabe “caos”, teve sua primeira temporada filmada durante o conflito Israel-Gaza, em 2014, e agora já caminha para a terceira temporada (estreia ainda em 2019), passando-se na Faixa de Gaza.

A história se passa em torno de Doron, comandante da unidade de contra-terrorismo das Forças de Defesa de Israel, em perseguição ao terrorista conhecido como “The Panther” (a pantera, em português). O ritmo acelerado da produção aborda elementos pouco vistos da Cisjordânia e dos dois lados do conflito israeli-palestino, utilizando uma narrativa emocionante.

House of Cards (2013 – 2018)
A premiada série, que contabilizou seis temporadas, retrata um suposto drama político realizado por trás dos bastidores da Casa Branca, nos Estados Unidos. Frank Underwood é um congressista ambicioso e sem escrúpulos que, com ajuda de sua esposa, Carrie, inicia um plano para ascender na carreira política e conquistar, alguns anos seguintes, a presidência dos Estados Unidos.

Ainda que fictícia e beirar o absurdo, devida a crueldade dos protagonistas, a série traz uma noção inteligente sobre o formato da política norte-americana, os acordos e até mesmo como se dão as eleições e o lobby, algo bem diferente do que é feito no Brasil, por exemplo.

Homeland (2011 – )
Caminhando para sua oitava temporada, a série é baseada na produção israelense “Prisioneiros de Guerra” e já conquistou uma variedade de prêmios. A história gira em torno de Carrie Mathison, oficial de operações da CIA, que desconfia que um fuzileiro americano, Sargento Nicholas Brody, após ter sido feito prisioneiro pela Al-Qaeda, foi convertido para o lado inimigo, representando um risco à segurança nacional dos Estados Unidos.

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A série traz um entendimento, ainda que cinematográfico e exagerado, sobre como os Estados Unidos lidam com suas questões de segurança nacional, terrorismo e atividade em países asiáticos como o Afeganistão.

The Crown (2016 – )
Vencedora de categorias no Globo de Ouro ainda nas suas primeiras temporadas, a série é o drama mais caro já produzido pela Netflix e o primeiro a ser realizado no Reino Unido. A história é uma biografia sobre o reinado da Rainha Elizabeth II, do seu casamento em 1947 até os dias atuais, rica em detalhes históricos não tão distantes de nós – a segunda temporada, por exemplo, acontece no período da Crise no Canal de Suez (1956) e do escândalo político britânico chamado Caso Profumo.

Além de não focar apenas na rainha, a produção tem mostrado uma ótima análise sobre a vida pública britânica e a vida privada de figuras de grande nome.

 

When Heroes Fly (2018 – )
Já caminhando para sua segunda temporada, a produção israelense foi a vencedora da categoria “melhor série internacional” no Festival de Cannes de 2018. A história foca em dois colegas veteranos das Forças de Defesa de Israel, que lutaram juntos na Segunda Guerra do Líbano em 2006 e agora se reúnem para viajar à Colômbia em busca da irmã de um deles – antiga amante do outro -, a qual acreditava-se ter morrido em um misterioso acidente nove anos atrás.

Classificada em 100% de audiência no Rotten Tomatoes, esta é uma série que, ainda que não seja baseada em fatos reais, foca em uma realidade distante para muitos brasileiros e deve ser acompanhada de perto.

Ingobernable (2017 – )
O drama político é uma produção mexicana, já em sua segunda temporada, que conta a história da primeira-dama Emilia Urquiza. Antes de ver os papéis do divórcio, seu então marido, o presidente Diego Navas, é assassinado e a protagonista se torna a principal suspeita. Ela então dá início a uma corrida para provar a própria inocência, refugiando-se em uma das zonas mais violentas da Cidade do México.

A série oferece debates interessantes sobre a geopolítica, com muito foco para a violência dos cartéis de droga, e muitas críticas à política de interferência externa dos Estados Unidos contra o narcotráfico.

Borgen (2010 – 2013)
Produzida na Dinamarca e contando com apenas três temporadas, a série conta a história da líder do partido popular, Birgitte Nyborg, que contra todas as probabilidades se torna a primeira-ministra do país. A partir daí, começa um debate sobre até onde é possível ir para manter o poder, onde a protagonista tenta conciliar a vida pessoal com a profissional, sacrificando alguns ideais próprios. 

A série explora em seu roteiro também as relações entre representantes de cargos públicos e a mídia.

The Americans (2013 – )
Idealizada por um ex-agente da CIA, a produção americana tem como cenário a Guerra Fria nos anos 1980, onde conta a história do casal Elizabeth e Philip Jennings, agentes soviéticos da KGB (a agência de espionagem russa) que se fazem passar por um casal americano vivendo nos subúrbios da capital. Os protagonistas passam a adotar uma postura cada vez mais de casal e menos de espiões, ao passo que seus filhos, sem suspeitar da verdadeira identidade da família, vivem como típicos adolescentes americanos.

O roteiro foca na vida pessoal e profissional dos protagonistas, incorporando eventos da vida real naquele período. A série já foi indicada a cinco categorias do Emmy, aclamada pela crítica e considerada uma das melhores produções televisivas do século XXI.

La Niña (2016)
Baseada em uma história real, a série colombiana foca na questão do recrutamento de crianças em conflitos armados e na sua posterior reintegração, tendo como história de fundo a guerra contra as FARC.

No enredo, uma garota é recrutada à força pela guerrilha e vivencia os horrores da guerra em primeira mão. Após muitos anos em combate, ela consegue deixar o grupo armado e embarca em um caminho de volta à sociedade, que não será fácil para ela. No processo de sua reintegração, a protagonista encara a família e seus próprios traumas.

Marseille (2016 – )
Ainda que já comparada a House of Cards e Narcos, a série francesa foca em outras questões que envolvem poder, vingança e corrupção, sob um olhar implacável sobre a política e suas ligações com o mundo das drogas. Na história, Robert Taro (interpretado por Gérard Depardieu) é o prefeito de Marselha – cidade no sul da França – há 25 anos. Viciado em drogas e na política, ele enfrenta nas eleições seguintes o ambicioso jovem, Lucas Barré, escolhido como seu próprio sucessor. 
Na trajetória, ambos personagens batalham pelo poder de uma forma inescrupulosa.

A trama também destaca os efeitos que o mundo da droga causa naqueles que vivem na pobreza e, ao mesmo tempo, nos detentores do poder.

The Thick of It (2001 – 2012)
A produção faz uma sátira ao governo britânico moderno e, ainda que não utilize nomes de partidos reais, o contexto permite que o espectador entenda quais são. A série destaca os problemas e conflitos entre políticos, assessores de partido, conselheiros e a mídia. No melhor estilo “Os Simpsons”, algumas situações do roteiro chegaram a prever eventos políticos e escândalos que aconteceram em seguida dentro do governo britânico. A história se centra na carreira do novo Ministro das Relações Sociais, Hugh Abbot, constantemente assediado pela polícia.

Bônus: The Mission
A mais nova comédia canadense sobre as Nações Unidas chega neste segundo semestre de 2019. Jaz, uma diplomata canadense cheia de sonhos e ideais tenta fazer a diferença em meio a personagens excêntricos e uma diplomacia que aparenta ser impossível. A sátira sobre a maior organização internacional deve ser acompanhada de perto.

Confira o trailer de estreia: