32 cidades brasileiras estão entre as 50 com mais homicídios do mundo

Uma das regiões mais urbanizadas do mundo, a América Latina vive um processo de fragmentação, segregação e exclusão da maior parte das suas cidades. Ainda que a elite latinoamericana tenha se desenvolvido bem, a parcela pobre da região ainda tem dificuldades em acessar serviços básicos como segurança, transporte público e saneamento.

As cidades da América Latina são as mais desiguais do mundo, onde cerca de 111 milhões, de um total de 588 milhões de habitantes, vivem em favelas e, ainda que muito governos tenham priorizado a redução da pobreza, a região abriga 10 dos 15 países mais desiguais do mundo.

Urbanização
Além das aglomerações urbanas que cobrem a região de cima a baixo (das quais, três estão entre as maiores do mundo, sendo Buenos Aires, Cidade do México e São Paulo), a América Latina ainda possui 310 cidades com populações acima de 250 mil e outras 16 mil cidades menores.

Atualmente, 82% da população vive nas cidades. O Brasi, porém, vai além desse número, com 90,6% vivendo nas áreas urbanizadas do país, ao passo que Venezuela contabiliza 93% e Argentina 92,5%.

Este êxodo rural ocorre a uma alta velocidade. Em 1950 existiam 60 milhões de habitantes nas cidades. Com isso, estima-se que até 2025 este número atingirá a marca dos 575 milhões. Centros econômicos também têm se mudado para as cidades, com pelo menos dois terços do PIB baseado em serviços de indústria e áreas urbanas. Os resultados desta urbanização, porém, não são compartilhados proporcionalmente.

Desafios sociais
Com uma larga camada da população latinoamericana vivendo em condições tão precárias, a insegurança cresce nas cidades. Em 2015, segundo dados do Observatório de Homicídios do Instituto Igarapé, 47 das 50 cidades com mais assassinatos do mundo estavam na América Latina, como El Salvador, Honduras, México e Brasil. Este último, inclusive, tem 32 cidades em uma lista de 50.

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Cidades com mais homicídios na América Latina

Ainda segundo a pesquisa, a maior parte das chamadas “cidades frágeis”, as quais correm mais riscos de entrar em colapso, não são as maiores e sim as que crescem mais rápido. Como exemplo, pode-se citar que Buenos Aires, Cidade do México e São Paulo, as três maiores da região, possuem uma taxa de crime menor do que a média nacional, enquanto que cidades que crescem 4% ao ano, como San Pedro Sula (Honduras), Lagunillas (Venezuela) e Villavicencio (Colômbia) tendem a vivenciar taxas mais altas de homicídios.

Outros fatores que contribuem para a fragilidade de uma cidade são segurança e instituições jurídicas fracas, desemprego entre os jovens e desigualdade salarial e social.

Soluções inovadoras
Apesar do quadro não ser inspirador, o Banco Mundial recentemente detectou uma reviravolta na desigualdade em algumas partes da América Latina, principalmente em cidades tomadas por crime e violência.

Uma série de governos latinoamericanos têm se baseado em dados para melhorar a segurança pública. Os resultados não vêm do reforço da polícia, aumento de penas ou da construção de mais prisões, mas sim da experimentação de abordagens preventivas, réplica de inovações e dimensionamento do sucesso.

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Cidades mais seguras da América Latina

As novas medidas têm gerado bons resultados em cidades como Bogotá, Medellin e São Paulo. Prefeitos de toda América Latina estão buscando medidas para reduzir os riscos de se tornar uma cidade frágil, incentivando o potencial de uma revolução urbana e deixando para trás aqueles que ainda não tiveram esta visão.

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