Após extensas discussões, delegação brasileira entrega documento final e conta sobre o Y20

A delegação brasileira do Youth 20 (Y20), selecionada pelo Diplomacia Civil, passou esta última semana em Xangai e Pequim, na China, para participar das discussões do evento mundial da juventude, sob o tema “Inovação e Parceria para um Mundo Inclusivo”.

O Y20, realizado de 24 a 30 de julho, é o grupo oficial de compromisso da juventude do G20, o qual oferece a oportunidade de discutir questões globais e propor soluções a líderes mundiais através do Final Communiqué, documento redigido ao fim do evento com o parecer final de todas as delegações participantes, sendo uma forma de expor aos líderes do G20 a perspectiva da juventude, que deve ser levada em consideração durante os debates da cúpula a ser realizada em setembro.

Os delegados Ariel Macena, Fernanda Magnotta, Pedro Oliveira, Petrina Santos e Thomaz Talarico se dividiram entre os cinco principais temas propostos pelo Y20, sendo eles: Sustentabilidade, Empreendedorismo e Pensamento Criativo, Parcerias e Governança Global, Superação da Pobreza e Justiça Social. Esta é a primeira vez que a temática do empreendedorismo chegará à pauta do G20.

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Delegação e diretor do Instituto Global Attitude. Foto: Global Attitude

Cada um participou da mesa de debate de seu tema correspondente, tendo o prazo de um dia e meio para chegar a um consenso em cada tópico da pauta. Apesar de sentirem que o tempo parecia curto, os delegados afirmam ter gerado bons resultados para o Final Communiqué. “As discussões acabavam se estendendo para lugares mais informais, como as mesas de almoço, corredores, etc”, explica Pedro. Vale tudo para ganhar tempo.

“Tivemos uma discussão bem polar, principalmente porque Justiça Social envolve vários níveis – trabalhamos com países de norte a sul e com diversas culturas, etnias, religiões, ideias. É bem complicado discutir a moralidade das questões como um todo, mas apesar disso acho que conseguimos levar adiante e chegamos em um documento final”, conta Ariel, que se encarregou do tema Justiça Social.

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Delegados foram recebidos com boas vindas em letreiro de prédio. Foto: Global Attitude

Já no primeiro dia do evento, a delegação visitou o parlamento em Xangai, tendo a oportunidade de conhecer o Vice Presidente da China, Li Yuanchao, o qual discutiu com os brasileiros os cinco temas da conferência.

Segundo os delegados, os primeiros dias do Y20 serviram de “aquecimento e contextualização” para as discussões, com visitas oficiais em locais importantes da China para que compreendessem o estilo de vida chinês e sua relação com o mundo, além das políticas adotadas para o desenvolvimento da educação, economia e tecnologia, principalmente.

“Ainda que estivéssemos vendo apenas a ‘China rica e capitalista’, não tendo contato com o resto dela – seu lado mais pobre e outras realidades que fazem parte daqui -, pudemos entender como o país está buscando melhorar e desenvolver suas questões sociais. Acho isso interessante, porque como participante de um evento que precede o G20, é bom ver como a força econômica da China tem sido impulsionada pelo desenvolvimento dos setores da educação, tecnologia e saúde”, explica Ariel.

Já no segundo dia, a delegação conversou, além de outros ministros, com o ministro de Relações Exteriores, Wang Yi, e passaram a conhecer as demais delegações, de todas as partes do mundo. Uma conversa especial se deu durante uma das palestras do evento, com o brasileiro baseado em Xangai, Paulo Nogueira Batista Jr., Vice Presidente do New Development Bank, banco idealizado pelo BRICS focado no desenvolvimento. “Foi interessante ver um brasileiro representando tão bem um trabalho tão importante”, lembra Pedro.

Delegação conheceu Paulo Nogueira Batista Jr., Vice Presidente do New Development Bank. Foto: Global Attitude

Delegado Thomaz Talarico questiona palestrantes. Foto: Global Attitude

“Em relação às políticas, o Y20 é uma plataforma que nos possibilita ir além das políticas convencionais que vemos no G20 e nas demais conferências internacionais, as quais muitas vezes não vemos inovação ou uma aposta de alto risco em termos de política pública. Aqui estamos pensando fora da caixa, porque queremos mudar, impactar e trazer a inclusão. Queremos ser disruptivos e ir além dos nossos interesses nacionais”, explica Thomaz sobre a proposta do evento.

O delegado afirma, ainda, que as barreiras culturais ou religiosas não foram fatores impossibilitantes para o bom andamento das discussões. “Buscamos ir até o final para chegar a um acordo mútuo, mesmo que levasse mais tempo. No final, vi que temos as mesmas vontades e problemas parecidos, isso nos dá a sensação de sermos todos cidadãos globais e estou motivado a voltar para casa e abrir a minha empresa, pois vi o quanto é possível realizar aquilo que acreditávamos ser difícil”.

A maior parte das discussões se deu em Xangai, como os tópicos do Y20 e economia. Já em Pequim, a delegação teve acesso a assuntos mais voltados à história política.

Delegação se prepara para rodada de discussões

Delegação brasileira se prepara para rodada de discussões. Foto: Global Attitude

“Me impressionei com o fato de que o empreendedorismo tem sido a veia do desenvolvimento. As discussões começaram com tudo e trabalhei pelo que acredito, aliando a sustentabilidade diretamente ao empreendedorismo e na articulação em rede para se alcançar os resultados. Atuar em parceria já é o primeiro passo para fazer diferente e construir uma nova política e uma nova governança, sem idealismos”, diz Petrina.

“Eu, particularmente, tive a aprovação de todas as políticas que queria na mesa de Sustentabilidade, muitas delas não foram nem contestadas, então fiquei feliz com o nosso trabalho e o resultado. O intercâmbio de ideias e oportunidades e conhecer as referências dos outros países foi ótimo para aprender e levar para o Brasil. A experiência foi uma honra e superou todas as minhas expectativas, principalmente quando tivemos a reunião com o Vice Presidente”, continua.

Pedro afirma que alguns grupos de discussão tiveram mais dificuldade em chegar a um consenso do que outros, mas garante que todos alcançaram as metas esperadas após dias intensos.

“É uma das melhores experiências da minha vida. O que me saltou os olhos foi o quanto os jovens são experientes, com diplomas e trabalhos incríveis. São pessoas admiráveis, com tão pouca idade. Isso mostra como temos capacidade. Conversamos muito com as delegações, organizações internacionais e voluntários da equipe de staff chinesa, aprendemos novas coisas a cada segundo. A China queria nos impressionar e conseguiu”, lembra.

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Delegação participa de cerimônia de abertura do Youth 20. Foto: Global Attitude

Quanto à organização do evento, o sentimento é unânime: a hospitalidade, detalhes, proposta, experiência e organização foram de tirar o fôlego. As delegações participaram de atividades que apresentaram o contexto cultural e empreendedor do país e como se posiciona como potência global.

“Passaram uma imagem de organização, estabilidade e poder e isso é interessante de analisar na construção do G20 como um todo, o qual possui várias disparidades dentro dele mesmo. Acho que vou trazer de volta bastante coisa dessa experiência toda, principalmente de de abrir outras oportunidades sobre o que tem no mundo e como trago estes exemplos como forma de implementação política, já que trabalho com saúde pública. Acho que foi o mais gratificante, além, claro, de conhecer os pontos turísticos da China, como a Muralha, que é uma coisa incrível pra mim, que sou arquiteto”, explica Ariel.

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