Brasil é líder pela 5ª vez em ranking mundial de mortes por conflitos de terra

Segundo o relatório “Em Solo Perigoso”, publicado pela ONG Global Witness, o Brasil está, pela 5ª vez seguida, no topo do ranking dos países onde mais morrem pessoas em conflitos de terra no mundo.

Em 2015, 185 pessoas foram mortas em situações de violência no campo ao redor do mundo, destas, 40% eram indígenas que tentavam proteger suas terras (ou seja, 74 pessoas). O número total corresponde a um aumento de 59% de mortes em relação ao ano anterior.

Segundo o autor do relatório, Billy Kyte, o número real de mortos deve ser ainda maior, visto a dificuldade em reunir estes dados.
Brasil e Filipinas são os países com a maior quantidade de assassinatos de ativistas ambientais. O país tupiniquim contabiliza 50 mortes no ano, onde Rondônia e Pará figuram como os estados mais violentos, com 20 e 19 mortes, respectivamente.

O relatório denuncia, ainda, a falta de investigação de crimes relacionados a conflitos de terra em diversos países, como Honduras e Brasil. Grupos têm ameaçado e fornecido dinheiro para matar ativistas como Isídio Antônio, líder de uma comunidade de pequenos produtores do Maranhão – morto por denunciar a extração ilegal de madeira -, e o colombiano Fabio Moreno, que apesar das ameaças de morte continua o seu trabalho de bloquear a mineração de ouro na reserva indígena onde vive.

Moreno perdeu seu amigo Fernando Salazar Calvo, que também participava da luta contra a mineração. Ambos os crimes não foram solucionados, segundo a Global Witness.

Ainda de acordo com o relatório, os principais responsáveis pelas mortes em áreas rurais são a indústria de minérios (com 42 assassinatos), agronegócio (20), extração de madeira (15) e usinas hidrelétricas (15).

“Os assassinatos que ficam impunes em remotas áreas de mineração ou no interior das florestas tropicas são impulsionados pelas escolhas que os consumidores estão fazendo do outro lado do mundo. As empresas e os investidores devem cortar relações com os projetos que desrespeitam os direitos das comunidades às suas terras.”, afirmou Kyte em entrevista à BBC.

“Sem pressão internacional, eu acho que provavelmente veremos a violência continuar em todos esses países”, diz Kyte.

Confira o mapa que indica a localização aproximada das mortes de cada defensor ambiental em 2015, produzido pela Global Witness.