Brasil é o 2º país mais ignorante para principais questões globais, diz estudo

Com o objetivo de retratar como cada país entende questões nacionais e internacionais, a organização Ipsos MORI lançou o estudo Perils of Perception 2017 (algo como Perigos da Percepção, em tradução livre), no qual analisou no ano de 2017 as respostas de quase 30 mil indivíduos em 38 países sobre temas como taxas de homicídio, gravidez adolescente, saúde, usuários de redes sociais, consumo de álcool, religião, entre outros.

Entrevistando indivíduos entre 16 e 64 anos, o estudo aponta que apenas 7% dos entrevistados pensa que a taxa de homicídio está menor em seus países, se comparado ao ano 2000 – a taxa real, porém, caiu em média 29% em todos os países.
Já quando o assunto é autismo, 60% dos participantes acreditam que isso está relacionado a vacinas, ainda que esta teoria já tenha sido largamente descartada. Os acertos quanto à conectividade também são baixos: em todos os países, acredita-se que haja uma média de 75% de usuários do Facebook, quando o número real não passa de 46%.

Estereótipos também influenciaram os resultados. Os entrevistados apostaram na Rússia como a nação que mais consume álcool, quando na verdade o país fica em sétimo lugar – a Bélgica está em primeiro lugar, mas poucos souberam afirmar isso.

O estudo aponta que países escandinavos (Dinamarca, Suécia e Noruega) são os mais bem informados sobre questões nacionais e o que ocorre no resto do mundo. Percebe-se, ainda, que países mais desenvolvidos figuram melhor no ranking, como é o caso da Espanha (em 4º lugar), Canadá (7º), Bélgica (8º) e Grã-Bretanha (9º).

“Mapa da Ignorância” mostra os países mais equivocados em vermelho e os mais bem informados em azul. Fonte: Ipsos MORI

Do outro lado do ranking estão Filipinas, Brasil, África do Sul e Peru, respectivamente, como os países mais ignorantes do mundo para uma série de assuntos.

No Brasil, cerca de mil pessoas foram entrevistadas e a maioria tem uma percepção completamente destoante do próprio país.

Quando o assunto é gravidez adolescente, por exemplo, o palpite médio é de que 48% das meninas e mulheres de 15 a 19 anos dão a luz todos os anos, quando a taxa real é de apenas 6,7%. Sobre diabetes, estimou-se que 47% da nação sofre desta doença – o número real, porém, equivale a 10%.

Para assuntos sobre violência, o Brasil mostrou ter uma percepção ainda pior. Em comparação com o ano de 2000, os entrevistados acreditam, em média, que a taxa de homicídio aumentou 76%, quando na verdade se manteve a mesma ao longo destes anos.

Ranking dos países mais equivocados. Fonte: Ipsos MORI

Segundo Bobby Duffy, Diretor Administrativo da Ipsos MORI, o principal motivo para tantos erros se dá pela “dificuldade com matemática e proporções, mas também pela cobertura da mídia e da política sobre estes assuntos”.

“Ao longo dos 38 países do estudo, cada população comete muitos erros. Frequentemente estamos errados sobre assuntos amplamente discutidos na mídia, como mortes por terrorismo, taxas de homicídio, imigração e gravidez adolescente, mas por conta de outros estudos, sabemos que isso ocorre em parte por que superestimamos o que nos preocupa: quanto mais vemos a cobertura sobre um assunto, mais achamos que ele acontece. Nosso cérebro processa informações negativas de forma diferente”, afirma.

De 2016 para 2017, houve uma mudança nos rankings. O mesmo estudo apontou em 2016 a Índia como o país mais ignorante e a Holanda como o mais perceptivo. Agora, os indianos pularam quatro posições, ao passo que Holanda caiu para o 18º lugar.