Focada no futuro, delegação comenta tudo sobre o Annual Meetings 2016

A delegação do Diplomacia Civil participou na última semana do Annual Meetings 2016 em Washington, Estados Unidos. O evento, organizado pelo Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, discute anualmente os progressos das duas organizações, com questões centradas na temática do comércio mundial, política e finanças internacionais, crescimento inclusivo e mercado financeiro.

A delegação, formada por Gabriel Mota, Guilherme Grespan, Jack Netto, Letícia Fucuchima, Jéssica Ungaretti, Juliana Padilha, Matheus Prates e Valentina Siliprandi, participou antes da viagem de quatro workshops preparatórios para tirar um melhor proveito da experiência.

Um dia antes do evento, os delegados tiveram uma reunião com a diretoria executiva do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para Brasil e Suriname, onde lhes foi explicado o papel do Brasil dentro do banco e como a direção consegue influenciar as tomadas de decisão. A diretoria deu dicas, ainda, de como trabalhar no BID e em outras organizações internacionais.

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Diretoria executiva do BID para Brasil e Suriname. Foto: Global Attitude

No primeiro dia de palestras, a delegação assistiu à abertura com a diretora do FMI, Christine Lagarde, e se dividiu entre os temas que mais lhes interessavam.

Para o delegado Gabriel, a variedade de temas das palestras resultou em escolhas difíceis, mas ele se articulou como pôde. “O evento como um todo é muito rápido e fluido, acontece muita coisa ao mesmo tempo, ficando até difícil de acompanhar tudo. Culturalmente e profissionalmente foi uma experiência incrível, abriu meus olhos pra muitas coisas. O nível de engajamento social que dá para ter em um evento desses, a quantidade de oportunidades que podem surgir, de pessoas que podemos conhecer são memoráveis”, explica.

A delegação assistiu a palestras que contaram com a participação de Joaquim Levy, diretor do Banco Mundial, Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial, entre outros. Esta foi a primeira vez que as três organizações (BM, FMI e OMC) participaram juntas de um mesmo evento.

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Delegados ao lado de Joaquim Levy, diretor financeiro do Banco Mundial, e Pablo Pereira dos Santos, Gerente do Setor de Infraestrutura e Energia do BID. Foto: Global Attitude

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Delegados tiram ‘selfie’ com Christine Lagarde. Foto: Global Attitude

“O evento superou bastante as minhas expectativas. O nível das discussões e palestrantes e a profundidade dos debates me deixaram bastante entusiasmado sobretudo no que diz respeito à temática de desenvolvimento inclusivo, que na minha opinião é a mais importante e comum às agendas das duas instituições (BM e FMI). Eu nunca havia participado como delegado de uma conferência e representar o meu país foi uma experiência que decerto agregou muito ao que eu gostaria de desenvolver em termos de habilidades profissionais e de relacionamento interpessoal”, lembra Matheus.

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Delegado Matheus Prates ao lado de Joaquim Levy. Foto: Global Attitude

Uma outra reunião dos delegados, também agendada pelo Diplomacia Civil, aconteceu com a Professora Doutora Camila Villard Duran, da USP, que explicou os atuais processos que acontecem no BM e FMI. “A professora Camila foi bem aberta para diálogo e foi uma das reuniões que mais gostei. Ver como ela chegou até lá foi uma inspiração para nós e conversei bastante com ela sobre os mestrados que poderia fazer e como chegar onde ela chegou”, diz Juliana.

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Delegação durante reunião com a Profa. Dra. Camila Villard Duran. Foto: Global Attitude

A delegada explica, ainda, que as palestras que mais chamaram sua atenção foram as voltadas para a igualdade de gênero e comércio, mas disse que sentiu falta de uma representação brasileira nos painéis. “Até a Macedônia estava representada em uma palestra e o Brasil não teve nada. Claro que vimos a participação de Joaquim Levy, mas ele não foi representando o país”, lamenta.

Apesar disso, os delegados aproveitaram o evento para fazer bons contatos, amigos e ganhar novas experiências. Jack, por exemplo, que já havia participado da delegação do Diplomacia Civil no European Development Days (na Bélgica), aproveitou para complementar seu networking, já voltando com ideias para aplicar em seu trabalho. “Pretendo implementar o que vi e aprendi no evento na minha vida profissional, principalmente em questões relacionadas à inovação tecnológica, com a possibilidade de, por exemplo, investir em programação ou em uma área como linguagem de computação feito java, que cada vez mais parece ser uma demanda para o futuro”, explica.

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Delegado Jack Netto em campanha dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável. Foto: Global Attitude

Já para Valentina, o evento serviu de exemplo e pontapé para seu caminho profissional. “Com certeza foi uma das experiências mais enriquecedoras que já tive. Poder acompanhar o dia a dia daqueles que fazem parte da elite política dos países e saber quais são os projetos futuros para os mesmos foi de suma importância para a carreira diplomática que pretendo seguir. Não esperava que fôssemos ficar tão perto desta realidade, onde não fomos meros espectadores e pudemos vivenciar de fato todo aquele ambiente de discussões, o que fez toda a diferença para o aprendizado que irei carregar deste evento”.

Gabriel, por sua vez, diz que o evento lhe deixou com mais dúvidas e questionamentos do que certezas. Ele afirma, porém, que isso é um ponto positivo, já que lhe instiga a querer pesquisar e conhecer mais.