Como os países têm se portado após o Acordo de Paris?

Cinco meses após a assinatura do Acordo de Paris, cujo objetivo é limitar o aumento médio da temperatura global para abaixo de 2ºC, países-chave têm anunciado o seu comprometimento com o tratado, a exemplo de China e Estados Unidos, responsáveis por 40% das emissões de carbono do mundo.

Durante a cúpula do G20, realizada na última semana na China, ambos presidentes chinês e americano anunciaram que adotarão oficialmente o acordo global. “A história dirá que o esforço que fizemos hoje foi essencial. Esta é a melhor chance que temos de lidar com um problema que pode acabar transformando este planeta”, declarou Barack Obama no evento.

O Acordo de Paris, que valerá a partir de 2020, busca a participação de todas as nações, não apenas as ricas, no combate às mudanças climáticas. 195 países já assinaram o documento, mas este só será aplicado legalmente um mês após ser ratificado por pelo menos 55 países, os quais correspondam, juntos, à produção de 55% das emissões de carbono.

Daí a importância de China e EUA se comprometerem com o acordo, visto que, até então, as 23 nações que já ratificaram o documento eram responsáveis pela emissão de apenas 1%. “Com a ratificação da China e dos EUA, só será preciso conseguir mais um par de grandes poluidores para que o total de 55% seja alcançado”, afirma o analista de questões ambientais, Roger Harrabin, em entrevista à BBC.

Hundreds of environmentalists arrange their bodies to form a message of hope and peace in front of the Eiffel Tower in Paris, France, December 6, 2015, as the World Climate Change Conference 2015 (COP21) continues at Le Bourget near the French capital. REUTERS/Benoit Tessier

Ambientalistas formam mensagem em frente à Torre Eiffel em Paris, França. Foto: REUTERS/Benoit Tessier

Longo caminho pela frente
Ainda que as duas potências ratifiquem rapidamente o acordo, há muitos desafios à frente. EUA, por exemplo, estabeleceu uma meta de que até 2025 tentará reduzir suas emissões de carbono de 26 a 28% abaixo do que emitia em 2005, ao passo que a China apenas promete estagnar o avanço de suas emissões até 2030.

Ainda que ambos cumpram suas metas, as emissões ainda resultariam no aumento de 2,7ºC ou mais na temperatura do planeta, valor acima do proposto pela ONU – que visa reduzir até 1,5ºC.

Com isso, o objetivo de manter a temperatura abaixo de 2ºC já estaria correndo o risco de não ser alcançado, enquanto meteorologistas têm registrado meses mais quentes da história, com perspectivas para que a temperatura global aumente ainda mais nos próximos anos, na medida em que as emissões de carbono atuais causem efeito.

Segundo o porta-voz da organização Friends of the Earth, Asad Rehman, “o Acordo de Paris é um passo na direção certa, mas na verdade é fraco demais e adia as ações até a próxima década. O que precisamos é uma ação abrangente e urgente para cortar as emissões e construir um futuro com menos carbono”.

Brasil
No início de agosto, o Senado brasileiro aprovou a adoção do Acordo de Paris para o clima e o documento agora seguirá para a sanção presidencial. A meta do Brasil é reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025, podendo chegar a 43% em 2030, tendo como base a quantidade emitida em 2005.

O país propõe, ainda, a zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030, recuperar os 12 milhões de hectares de áreas desmatadas e promover políticas para incentivar o uso de fontes renováveis para energia.

Segundo o senador Jorge Viana (PT-AC), membro da Comissão de Meio Ambiente do Senado, o Brasil é um dos poucos países capazes de alcançar suas metas estabelecidas antes do prazo delimitado pelo tratado. “É da maior importância a adesão ao Acordo do Clima porque, na COP-22 [Conferência do Clima], que será em novembro deste ano, o país poderá chegar com renovada autoridade, falando que já deu eficácia ao acordo firmado na COP-21”, afirma.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, convocou os líderes mundiais que assinaram o acordo a ratificarem-no até 21 de setembro deste ano, quando ocorre a próxima Assembleia Geral da ONU, de forma que acelerem o processo para restringir a emissão de gases ainda neste ano.

A Grã-Bretanha, 10º maior país emissor de carbono, segundo pesquisa do Banco Mundial, ainda não ratificou o tratado. O porta-voz da primeira-ministra Theresa May afirmou à BBC que “isso seria feito assim que possível”, mas não citou uma data.

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