Delegação apresenta painel sobre cidades brasileiras na Malásia

Durante as duas últimas semanas, a delegação do Diplomacia Civil participou do World Urban Forum 9 (WUF9), em Kuala Lumpur, Malásia, conhecido como o maior evento global de interação no campo do desenvolvimento sustentável e urbano. Lá se reuniram especialistas de diversas áreas entre representantes de governos, organizações não-governamentais, iniciativas comunitárias, acadêmicos, profissionais de pesquisa, setor privado, instituições de desenvolvimento financeiro, fundações, membros de diversos órgãos da ONU e demais agências internacionais, dos quais nossa delegação teve a oportunidade de conhecer e interagir.

O grupo selecionado para participar do programa era composto por sete delegados: Laís Bacci, Lais Penna, Leticia Rizério, Rafael Corrêa, Sara Belém, Súsel Lopes e Yago Evangelista, além da coordenadora Rebeca Grinspum, ex-delegada do Diplomacia Civil para o Habitat III, realizado em 2016, no Equador.

“Este fórum levou o debate a outro nível quando incluiu as questões de gênero e violência em transportes públicos e em espaços públicos nas cidades e aqui pude ouvir de mulheres, em assembleias e conferências, as soluções que trouxeram para essas comunidades, o que foi muito enriquecedor, porque vi que, mesmo com culturas diferentes, temos um objetivo comum, que é tornar nossas cidades seguras e mais acessíveis a todos”, explica Leticia Rizério.

Marcando presença não só nas palestras e demais eventos do fórum, a delegação contou com uma agenda de reuniões com personalidades de peso, como o economista Paolo Veneri, Chefe da Unidade Regional de Análise e Estatística da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o embaixador do Brasil em Kuala Lumpur, Carlos Ricardo Martins Ceglia e com a diretora do Ministério das Cidades, Diana Meirelles da Motta, junto a Tobias Kühner, cooperante alemão do Ministério.

Delegados conversam com embaixador do Brasil em Kuala Lumpur. Foto: Global Attitude

“A reunião que mais gostei foi com a diretora do Ministério das Cidades. Nesta reunião ela trouxe para nós algumas perspectivas e desafios do nosso próprio país. Esta foi a minha primeira experiência em um evento internacional desse porte e estar em contato com pessoas de contextos diversos e países diferentes, todas engajadas e preocupadas com o futuro das nossas cidades foi incrível”, afirma Lais Penna

De acordo com Rebeca Grinspum, a diretora Diana Meirelles se interessou pela dinâmica do programa Diplomacia Civil, mostrando-se aberta à conversa e a tirar dúvidas dos delegados, e o encontro com o embaixador foi extremamente positivo, tendo sido “muito receptivo e ainda desmistificou o papel de um embaixador para todos nós”.

Encontro com diretora do Ministério das Cidades durante o WUF. Foto: Global Attitude

A coordenadora destaca, ainda, que a delegação “brilhou” no quesito de fazer networking. “Todos se engajaram com suas atividades no WUF, conversaram bastante com pessoas que lhes eram importante e sempre compartilhavam contatos entre eles. Isso foi bonito de ver. Inclusive, Súsel conseguiu fechar uma parceria entre a Unesp e a Universidade da Malásia, no departamento de esportes. Foi uma grande conquista para ela, que foi determinada a fazer isso”.

O último domingo do evento (11) também foi de conquistas para os delegados. Inscritos no side event do WUF, eles apresentaram um painel próprio sobre cidades brasileiras e o papel das organizações da sociedade civil. Ao fim, foi aberto um debate ao público para que os presentes compartilhassem sobre as organizações da sociedade civil em suas cidades, como foi feito por três pessoas de diferentes países.

“Depois, um alemão na plateia pegou o microfone e agradeceu nosso grupo, disse que foi muito importante trazer o trabalho das organizações brasileiras para o WUF. Disse que, diferente da Alemanha, no Brasil a sociedade civil tem a liberdade de se organizar e propor mudanças, o que para ele era motivo de inveja”, lembra Rebeca. Ao final do debate, muitas pessoas abordaram os delegados, interessadas em saber mais sobre determinadas organizações brasileiras apresentadas. Para os delegados, apresentar-se em um fórum internacional significou uma grande experiência pessoal e profissional.

“Este fórum foi completamente diferente da experiência de Quito [durante o Habitat III], muito por conta do tamanho e organização do evento. As salas eram de extrema qualidade e tudo muito arrumado. Apenas a duração do evento que deixou os delegados cansados, pois foram dias seguidos de palestras, trainings e networking,mas acredito que essa experiência de coordenadora foi muito enriquecedora para mim, pois aprendi a como lidar com pessoas tão diversas para um objetivo comum”, finaliza Rebeca.

Confira a gravação na íntegra do painel Brazilian Cities and the role of civil society organizations: