Delegados participantes relatam destaques do Public Forum da OMC

Na semana passada, onze jovens brasileiros coordenados pelo programa Diplomacia Civil, do Instituto Global Attitude, estiveram em Genebra, na Suíça, onde tiveram a oportunidade de participar da delegação para a edição de 2017 do Public Forum, evento anual realizado pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Delegação do Public Forum. Foto: Instituto Global Attitude.

Com participação ativa no fórum, os delegados do programa contemplaram uma agenda completa que incluiu palestras, painéis, networking com delegações de todas as partes do mundo e discussões sobre as mais relevantes questões econômicas atuais, com destaque para a importância do comércio global na atuação por um papel cada vez inclusivo no planeta.

Confira os principais destaques do evento na opinião de alguns dos delegados participantes:

“O fórum público da OMC em 2017 teve como foco as questões além do que se vê no grande noticiário, indo a fundo nos desafios do século XXI e do desenvolvimento sustentável. Os painéis discutiram uma série de assuntos considerados novos e que irão ter um papel importante nos próximos anos, como o e-commerce, as micro, pequenas e médias empresas, as moedas virtuais e a tecnologia em geral. Como entusiasta do assunto, foi importante participar de painéis sobre a nova disposição das cadeias globais de valor, e quais os desafios para os países em desenvolvimento se inserirem nela com mais competitividade. Pensando no Brasil, todo esse debate é enriquecedor, pois temos muito a se estruturar em crescer no comércio internacional. Atualmente, representamos menos de 1% do comércio mundial, mesmo sendo a oitava maior economia, além das exportações representarem apenas 10% do PIB do país. No discurso de abertura, o diretor-geral da organização, Roberto Azevedo, afirmou que a OMC ainda enfrenta o desafio de se adequar a um mundo globalizado e de países ainda em desenvolvimento. A aparição de movimentos anti-comércio demonstra ainda mais um desafio a ser enfrentado. A aproximação com os especialistas, tomadores de decisão e empresários de todo o mundo tornou o evento único para entender, de fato, o que se passa por trás das notícias de jornais, partindo da premissa do comércio como um vetor para o crescimento dos países e para um mundo pacífico, sem barreiras e mais inclusivo. Os assuntos debatidos entrarão em pauta na próxima reunião ministerial da OMC em Buenos aires, na expectativa de uma convergência entre os países para um mundo multilateral e na própria função da OMC em facilitar e regular o comércio internacional.” (Alexandre Werner, bacharelando em Relações Internacionais).

Foto: Instituto Global Attitude.

“O Public Forum da Organização Mundial do Comércio (OMC) deste ano contou com diversas palestras sobre temas variados. Mas alguns nichos de mercado foram mais debatidos que outros. São os exemplos do e-commerce, das MSMEs e do agrobusiness. Em um encontro pós-Doha, onde muitos compromissos firmados não foram respeitados, a OMC procurou discutir sobre a má condução do comércio como forma de desigualdade com o advento da globalização, mas determinou que protecionismo não é a solução. A globalização trouxe diversos avanços para a  sociedade e seus vícios devem ser sanados, mas com responsabilidade. O comércio mundial foi transformado com as mudanças nas cadeias globais de valor e tem tudo para continuar se transformando nos próximos anos. O e-commerce vêm crescendo exponencialmente, as MSMEs estão sendo observadas com cautela e entrando em uma pauta de discussão global para obterem maior espaço de crescimento com o intuito de tornar o mercado mais livre, e a inteligência artificial pede passagem para revolucionar o modus operandi das cadeias globais de valor e do comércio como um todo. É importante considerar que o comércio é um instrumento de paz desde os primórdios da humanidade e deve ser tratado desta maneira para manter a ordem global em tempos de disseminação de ódio à globalização. Como membros da delegação do Diplomacia Civil tivemos o privilégio de tornar a experiência ainda mais enriquecedora com encontros com figuras importantes da diplomacia brasileira e da própria Organização Mundial do Comércio, como Victor do Prado. Essa semana foi uma experiência de valor imensurável para a minha formação pessoal e profissional. Recomendo a participação neste programa a todos os jovens brasileiros que desejarem participar das discussões da nova ordem do comércio global. ” (Pedro Pereira Gomes, estudante de Direito e Administração Pública)

“Poder participar do Fórum Público da OMC foi, certamente, uma experiência bastante enriquecedora. Tivemos a oportunidade de acompanhar in loco painéis com temas variados em linha com atual pauta do cenário político e comercial mundial, como, por exemplo, a importância do comércio internacional para o desenvolvimento sustentável, regulação do e-commerce, políticas protecionistas e a questão do Brexit relacionadas à globalização e a relevância das pequenas e médias empresas para consolidação das relações comerciais no Mercosul. Vale destacar a excelente organização do evento que se empenhou para compor painéis de alto nível com personalidades de setores variados (diplomatas, representantes de governo de países desenvolvidos e países em desenvolvimento, acadêmicos, pesquisadores e líderes de empresas multinacionais). Essa diversidade de palestrantes foi essencial para enriquecer o debate e aprofundar os temas discutidos, indo além das questões superficiais. Destaco também que, como delegado do Diplomacia Civil, tive a oportunidade em participar de reuniões privadas com membros da missão brasileira junto à OMC e com Victor do Prado, Diretor do Conselho e Comitê de Negociações e Comércio da OMC. Através de um bate papo direto e menos formal, tivemos uma verdadeira aula sobre a história da OMC e a atual conjuntura do comércio internacional frente o cenário político mundial.” (Sergio Ferraz e Opice, advogado)

“O Public Forum é um evento já tradicional na OMC. Desde 2001, a entidade abre suas portas a representantes da academia, grandes empresários, diplomatas e, evidentemente, da sociedade civil. Os sucessivos recordes de público ano a ano evidenciam o enorme potencial desde grande encontro: Debater os mais relevantes temas ligados ao comércio através de uma vasta gama de perspectivas e experiências de todos os setores e países. O que mais impressiona, neste contexto, é a qualidade e profundidade de cada debate. Presenciamos painéis magníficos em todos os âmbitos, desde a palestra inaugural – com Christine Lagarde, Paul Krugman, Roberto de Azevedo, e outros, debatendo francamente as interações do comércio, cada vez mais global, com outros fatores macroeconômicos, e suas consequências – até temas de extrema especificidade, como políticas de incentivos às MSMEs dentro do âmbito do Mercosul. A possibilidade de diálogo entre representantes dos diversos setores que compõe o “mapa do comércio” é o grande trunfo do evento. Por outro lado, é fantástico notar o comércio internacional como mecanismo de cooperação a nível global. O evento não foge à sua responsabilidade social, isto é, não se trata de um mero encontro de negócios, mas sim de debater em profundidade os impactos que a globalização de mercados tem causados em cada região do mundo, e como valer-se deste potencial para gerar um impacto positivo na vida de cada individuo. A título de exemplo, pudemos presenciar um maravilhoso painel, organizado pela KPMG, visando debater novas ferramentas para aumentar a transparência e tornar mais inclusivo o comércio mundial, e quais os papeis dos setores público e privado neste processo. Finalmente, não poderia deixar de enaltecer o excelente trabalho do Instituto Global Attitude. Para além de nos proporcionar a experiência do evento em si – e toda a preparação para aproveitar o máximo do evento – tivemos uma agenda paralela igualmente rica e única, incluindo encontros privados com grandes figuras brasileiras na OMC, bem como a missão permanente do Brasil.” (Fabio Baum, advogado)

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