Número de jornalistas presos na Rússia é o maior desde fim da União Soviética

Nestas últimas semanas os olhos do mundo estão sob a Rússia, país que sedia a Copa do Mundo de 2018. Uma série de profissionais da mídia fazem a cobertura do maior e mais esperado evento de futebol, transmitindo a alegria dos torcedores e as imponentes instalações esportivas das cidades-sede. Ao mesmo tempo, o país contabiliza atualmente o maior número de jornalistas e blogueiros presos desde o colapso da União Soviética, há 27 anos atrás, segundo denuncia a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

“O governo controla os principais meios de comunicação na Rússia, usando-os para inundar o público com propaganda. Apesar de resistências, o jornalismo independente está perdendo terreno. Quando a mídia independente consegue alcançar o público geral, vários métodos são rapidamente usados para abafá-la”, afirma comunicado da organização.

Em campanha de denúncia, a RSF tem distribuído figurinhas similares às do álbum oficial da Copa da Fifa, estampando o rosto de jornalistas encarcerados no país, a exemplo de Alexander Sokolov e Igor Rudnikov, para despertar o interesse do público para a situação.

Foto: Divulgação

Outras campanhas visuais serão feitas durante as próximas semanas como forma de impedir que o sucesso da Copa sirva como método para disfarçar o declínio do pluralismo da comunicação russa.

“Ninguém recebe cartão vermelho por perseguir jornalistas por trás. De violência policial a assassinato de jornalistas, a impunidade é a regra. Pelo menos 34 jornalistas foram mortos por envolvimento em reportagens sobre a Rússia desde que Putin se tornou primeiro-ministro em 1999. Na maioria destes casos, as investigações chegaram a lugar nenhum e os culpados nunca são identificados”, denuncia a RSF.

Campanha reproduz figurinhas do álbum oficial da Copa com jornalistas presos. Foto: Divulgação

Ainda no comunicado, o secretário-geral da organização, Christophe Deloire, declara que “o intenso interesse do público sobre a Copa do Mundo não pode eclipsar a partida injusta entre o governo e a mídia independente russa. As leis estão ficando cada vez mais repressivas e a sua formulação ampla e vaga permite que os árbitros as apliquem de maneira seletiva e arbitrária. ONGs de liberdade de imprensa têm sido criminalizadas, a mídia estrangeira está ameaçada e a internet, que antes era livre, está em processo de estrangulamento”.

Vale lembrar que a Rússia figura na posição 148 do 2018 World Press Freedom Index da RSF, com 180 países listados.