Nunca houve tantas pessoas refugiadas: 8 fatos sobre refúgio no Brasil e no mundo

Por Carla Trabazo

O agravamento de conflitos gerou uma crise sem precedentes de refugiados no mundo. De acordo com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), os dados levantados pela agência confirmam uma tendência crescente de longo prazo no número de pessoas que fogem de suas nações em busca de segurança. Em 2018, cerca de 70,8 milhões de indivíduos em todo o mundo foram forçados a se deslocar por conta de perseguições, conflitos, violência ou violações de direitos humanos.

A situação tem se espalhado e causado outras crises, como as inúmeras mortes na travessia do Mar Mediterrâneo – uma tentativa de chegar na Europa e constituir nova vida -, o surgimento de uma nova geração sem oportunidades de educação e perspectivas de futuro e, ainda, a falta de melhores políticas de acolhida em países que recebem largas quantidades de refugiados diariamente.

Reunimos oito fatos sobre refúgio no Brasil e no mundo para entender melhor a situação atual. Confira:

1. Recorde de 2018 não deveria ter acontecido
O ano de 2018 atingiu a marca de quase 71 milhões de pessoas deslocadas forçosamente no mundo, resultado dos crescentes conflitos e perseguições. O número é um recorde na história e pode seguir sendo quebrado nos próximos anos, visto que não há perspectivas para a resolução na maioria dos casos, como na Síria e Sudão do Sul.

Tendas que abrigam deslocados internos em campo na Síria. Foto: Khalil Ashawi/Reuters

2. Nunca houve tantas pessoas em situação de refúgio no mundo
Segundo dados do ACNUR, a população de refugiados registrados ao redor do mundo é de 20,4 milhões. Este número teve um crescimento significativo a partir de 2012, quando havia 10,5 milhões de refugiados.

3. A cada minuto, 25 pessoas fogem de suas casas
Apenas em 2018, 13,6 milhões de pessoas se viram forçadas a deixar seus lares em busca de segurança. Isso significa que todo dia cerca de 37 mil pessoas fogem da sua cidade (os chamados deslocados internos) e/ou de seus próprios países.

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4. Crianças compõem metade da população de refugiados
Muitas vezes, estas crianças atravessam a fronteira de outras nações desacompanhadas. Em 2018, segundo relatório do ACNUR, 111mil crianças refugiadas estavam vivendo sozinhas, sem pais ou familiares. Ainda no mesmo ano, um milhão de bebês sírios nasceram em outro país.

Criança da Costa do Marfim em Centro de Trânsito de Repatriação Voluntária do ACNUR. Foto: ACNUR/David Azia

5. Maioria dos refugiados vêm de apenas cinco países
Mais de dois terços da população de refugiados são oriundas de apenas cinco nações, todas vivenciando longos conflitos internos: Síria, Afeganistão, Sudão do Sul, Mianmar e Somália.

6. Todos desejam retornar às suas casas
No ano de 2018, quase 3 milhões de pessoas deslocadas decidiram retornar às suas cidades e/ou países de origem. O número inclui 2,3 milhões de deslocados internos e quase 600 mil refugiados. Uma pesquisa realizada pelo ACNUR no mesmo ano, revelou que 76% dos refugiados sírios desejam ter a oportunidade de voltar ao país um dia.

Cotidiano de população em Aleppo, na Síria. Foto: Omar Sanadiki/Reuters

7. Refugiados ainda enfrentam preconceito nos países que os acolhem
O ACNUR lançou este ano o Perfil Socioeconômico dos Refugiados no Brasil, a primeira pesquisa em escala nacional que revela as condições de vida de pessoas em situação de refúgio no país. O levantamento mostrou que, dos quase 500 entrevistados, 41% admitiu já ter sofrido algum tipo de discriminação – de preconceito a agressões. Destes casos, 52% afirmaram que a causa da discriminação aconteceu por questões raciais.

8. O mercado de trabalho no Brasil ainda é um dos maiores desafios para os refugiados
Ainda segundo os dados do perfil, cerca de 46% dos entrevistados (ou seja, 227 deles) afirmaram ter dificuldades em acessar o mercado de trabalho no país, sendo este um dos maiores obstáculos na busca por emprego. Entre os problemas, inclui-se o fato de ser estrangeiro, a escassez de recursos para buscar trabalho, o preconceito racial e a falta de opções de onde deixar os filhos.

Refugiados no Brasil enfrentam novos desafios. Foto: Divulgação

Mais da metade dos entrevistados (57,5%), porém, já conseguiu um emprego, outros 19,5% estão em busca de trabalho e 5,7% estão desocupados (nem empregados nem em busca de emprego). A população de refugiados no Brasil possui capital escolar acima da média nacional, dos quais 34,4% possuem ensino superior completo.