Pela primeira vez, brasileira ganha bolsa para mestrado na Universidade de Glasgow

05/08/2016 loveUK 0 Comments

Após se formar em Relações Internacionais pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), em 2013, Manuela da Rosa Jorge, 26 anos, atravessou o mundo para se dedicar à causa palestina, trabalhando e morando em campos de refugiados.

Agora, ela busca se aprofundar ainda mais no assunto, começando em setembro deste ano o curso de Direitos Humanos e Política Internacional da Universidade de Glasgow, na Escócia, e o melhor: com uma bolsa de 10 mil libras, o que lhe garante cerca de 80% do custo do programa. Esta é a primeira vez que a instituição concede a bolsa University Trust International Leadership a um brasileiro.

“Escolhi o Reino Unido primeiramente pela excelência na área da educação. As universidades britânicas são internacionalmente reconhecidas pela qualidade e excelência e esses eram alguns dos pontos primordiais que eu estava procurando”, explica.

A catarinense aplicou para três universidades: Edimburgo, Glasgow e Durham, todas pertencentes ao Russell Group (a Ivy League britânica), sendo aceita no mestrado das três instituições.

O critério de escolha se deu por conta da bolsa oferecida por Glasgow, conquistada com a ajuda do programa loveUK, iniciativa do Instituto Global Attitude que assessora, gratuitamente, em todas as etapas para estudar no Reino Unido: da aplicação para bolsa ao auxílio na emissão de visto.

Manuela Jorge em Belém - No Natal 2015

Manuela em Belém, no Natal de 2015. Foto: Arquivo pessoal

Trajetória
Manuela chegou em terras palestinas em 2013 para fazer um estágio na ONG BADIL Resource Center for Palestinian Residency and Refugees Rights e para participar do International Summer Camp, da organização Lajee Center. Depois disso, não quis mais sair.

“O Oriente Médio sempre foi uma questão de interesse pessoal e acadêmico meu. A escolha pela Palestina foi tanto pessoal como profissional. Aquele território é rodeado de nuances não só legais como também humanas e entender e vivenciar ambas foi decisivo para a minha escolha em ir para lá”.

A Lajee Center é uma ONG instalada dentro do campo de refugiados Aida, na cidade de Belém, com foco no direito das crianças palestinas. Já a BADIL, ONG parceira da ONU, que promove e protege os direitos humanos da população palestina de refugiados e deslocados internos, a internacionalista trabalhou na área de comunicação.

Ao terminar as duas funções, Manuela permaneceu na região, voluntariando-se na Lajee Center e estabelecendo residência no próprio campo de refugiados. Foi lá que ela conheceu seu marido, Dawud, que vive com a sua família no campo de Aida há quatro gerações como refugiados.

O processo de admissão
Manuela conta que o processo de admissão para a universidade e conquista da bolsa consistiu em, além da documentação, uma série de emails e cartas motivacionais bem escritas.

“Eu acabei optando por mandar duas cartas, uma a mais do que era necessário. Na segunda carta, eu expliquei um pouco das minhas experiências que poderiam ser relevantes para o curso escolhido. Já para a carta obrigatória eu fiz uma extensa pesquisa e analisei outras cartas motivacionais que obtiveram sucesso, seguindo alguns pontos como: interesse acadêmico, os objetivos de estar fazendo este curso, o por quê deste curso específico, o que ele pode me proporcionar e, por fim, a questão motivacional”, enumera.

Ela explica, ainda, que através do loveUK soube que deveria enviar mais uma carta motivacional que explicasse por que merece ou precisa da bolsa de estudos.

“Acabei sendo contemplada com a prestigiada University Trust International Leadership, a bolsa da Universidade de Glasgow. Para tê-la existem três critérios: excelentes notas na graduação, ser aluno estrangeiro – fora da União Europeia- e ter uma vaga concedida para algum curso de mestrado”. Manuela ganhou, ainda, a bolsa Uniplaces, que custeará sua acomodação durante o semestre letivo.

Projetos futuros
A internacionalista pretende manter o foco na Palestina durante o mestrado e pensa, ainda, em trabalhar em uma organização focada no refúgio.

“A Universidade de Glasgow possui diversos convênios e parcerias com órgãos e organizações que trabalham com a questão dos refugiados, como o Glasgow Refugee, Asylum and Migration Network, o Glasgow Centre for International Development e o Glasgow Human Rights Network. Gostaria de trabalhar nessa linha para obter experiência prática nesta área e, mais tarde, seguir para o doutorado”, afirma.

Manuela começa o mestrado no próximo mês.