Quem é António Guterres e por que foi escolhido secretário-geral da ONU

Nesta última quinta-feira, o português António Guterres, de 67 anos, foi oficialmente apontado como o próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), sucedendo Ban Ki-Moon no dia 1º de janeiro. Mas quem é Guterres e o que tem feito para se tornar o 9º secretário-geral?

Formado em Engenharia Elétrica, o português entrou no Partido Socialista em 1974, tornando-se primeiro-ministro de Portugal em 1995. Durante a sua gestão, ele implementou o salário mínimo, mas renunciou ao cargo em 2001 para se dedicar à carreira diplomática.

Em 2005 passou a chefiar o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), onde exerceu a função até o ano passado. Neste período, Guterres promoveu uma série de reformas que aprimoraram a atuação da agência, tornando-se um dos órgãos mais funcionais e bem sucedidos da ONU.

Foto: Denis Balibouse/Reuters

O português é um dos principais responsáveis por dar voz internacional à maior crise de refugiados que o mundo já enfrentou, desde a 2ª Guerra Mundial, e durante uma de suas sabatinas, Guterres afirmou que a Europa não sobreviverá se fechar as portas para a imigração, apontando que um dos focos da sua gestão será voltada a esta crise.

Bem recebido
Guterres foi um dos candidatos que obteve mais apoio do Conselho de Segurança da ONU, demonstrando vasta experiência política internacional. Sua candidatura foi bem recebida, contabilizando 13 votos a favor, duas abstenções e nenhum veto. A eleição de Guterres, porém, frustrou a expectativa de muitos, que esperavam ter a primeira mulher no cargo, como a a búlgara Irina Bokova e a neo-zeolandesa Helen Clark.

Apesar disso, a decisão também foi aclamada pelos 193 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU. O Brasil, porém, não endossou oficialmente a candidatura do português por questões diplomáticas com a Argentina, que concorria ao posto com a chanceler Susana Malcorra.

Segundo porta-voz das Nações Unidas, “esta foi a primeira vez que o processo de escolha do secretário-geral foi totalmente aberto, com a realização de debates públicos e diálogos com a Assembleia-Geral”.

O novo secretário-geral afirmou durante cerimônia que exercerá o cargo com gratidão e humildade. “Os dramáticos problemas do complexo mundo de hoje só podem inspirar uma abordagem humilde. Aquela em que o secretário-geral sozinho não tem todas as respostas nem procura impor seus pontos de vista. A ONU precisa ser ágil, eficiente e eficaz. Deve focar mais na entrega e menos no processo; mais nas pessoas e menos na burocracia”.

Segundo diplomatas consultados pela BBC, ao contrário de Ban Ki-Moon, o português é carismático e tem força política, sendo capaz de resistir às decisões das grandes potências.