Tema ‘Migrações’ é destaque no European Development Days 2017

Na semana passada, entre 6 e 7 de junho, o programa Diplomacia Civil, do Instituto Global Attitude, esteve presente em Bruxelas, na Bélgica, através de quatro jovens delegados da sociedade civil brasileira que tiveram a oportunidade de participar da 11a edição do European Development Days (EDD 2017).

Na conferência, organizada desde 2006 pela Comissão Europeia e que configure hoje um dos mais relevantes fóruns globais da atualidade, estiveram presentes mais de 100 líderes globais e 40 mil participantes de todos os cantos do planeta, que se reuniram na capital da União Europeia para discutir a agenda de desenvolvimento e propor soluções para as mais importantes questões mundiais.

Dinâmica e movimentada, a edição deste ano trouxe a debate os mais diversos temas internacionais, divididos em: Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias; através de dezenas de painéis que compuseram a programação.

Entre os temas de maior relevância na agenda global atual e que obteve grande destaque no fórum, esteve o tema das migrações. Dois delegados do Diplomacia Civil com interesse particular no assunto, Camila Barros e Lucas Ribeiro, estiveram presentes e contam nesta matéria suas impressões sobre os painéis e os principais destaques sobre o tema no EDD 2017:

 

Camila Barros, estudante de Relações Internacionais e Pesquisadora em Migrações e Crianças Refugiadas:

“Entre as diversas pautas discutidas no European Development Days 2017, questões relacionadas às migrações e a mobilidade de pessoas são sempre um assunto delicado a ser tratado. Segundo o ACNUR, quase 65,3 milhões de pessoas atravessaram suas fronteiras e se deslocaram por guerras e conflitos até o final de 2015, onde um dos principais destinos é a Europa.

Por isso, foi de extrema importância estar no European Development Days e deliberar com diversas pessoas ao redor do mundo questões e possíveis soluções para a real situação física e emocional das pessoas em condição de refúgio. Foram realizados debates e mesas redondas que tratavam sobre os mais diversos temas que cercam as migrações.

Como pesquisadora na área de Migrações e Crianças Refugiadas, participei ativamente dos debates, que em alguns sentidos, demonstraram a abrangência e a perspectiva do continente europeu em relação a este tema bastante sensível.

Diversos líderes de organizações internacionais e pesquisadores na área estiveram presentes neste fórum, deliberando sobre os diversos temas, entre eles: “Migrações e Corrupção”, relatando como a corrupção pode ser impulsionadora para o deslocamento forçado; “Mulheres e Meninas Refugiadas”, como um dos grupos mais vulneráveis na travessia de fronteiras; e “Abordagens Efetivas para o Emprego de Refugiados”, destacando a importância da oportunidade de emprego para os refugiados como forma de conferir independência e dar voz à estes indivíduos. Outra importante questão abordada foi a violência enfrentada pelas Crianças Refugiados durante todo o processo de deslocamento forçado, que confere à estas crianças “cicatrizes” físicas e emocionais.

Por isso, o European Development Days buscou trazer as principais questões e abordagens que são importantes para a realidade europeia e dos seus países e continentes vizinhos. Como membro da delegação do Brasil neste fórum, percebi que os discursos ali tratados abordam questões profundas e que muitas vezes diante das muitas dificuldades econômicas, políticas e sociais que cercam o Brasil, nós quanto sociedade civil brasileira ainda não nos preocupamos o bastante ou não nos aprofundamos o quanto deveríamos para buscar novas atitudes e soluções para a realidade dos refugiados e imigrantes do nosso país.

Precisamos estar mais ativos e aprofundar cada vez mais estudos e pesquisas relacionados às migrações e deslocamentos forçados, na tentativa de acolher progressivamente homens, mulheres, idosos, jovens e crianças que se encontram em condição de refúgio no nosso país e que precisam de mais apoio do Governo Federal, de instituições e organismos nacionais e internacionais, e de nós, cidadãos brasileiros.

 

Lucas Ribeiro Guimarães especialista em Relações Internacionais e atualmente editor e coordenador do blog Cidadãos do Mundo:

“Em um dos debates, intitulado “Maximizando o potencial desenvolvimento de migração legal e mobilidade”, a moderadora e os stakeholders europeus e africanos reconheceram que existe uma dificuldade de promover canais legais mais acessíveis para a migração na União Europeia. Acredito que um dos benefícios de facilitar o processo legal seria a possibilidade dos governos gerirem e terem maior controle do fluxo migratório. A consequência direta disso está em reduzir a migração irregular e combater redes clandestinas de tráfico humano que põem em risco os migrantes e refugiados.

Além do mais, foi apresentada durante a discussão a emergência de buscar as causas raízes da migração irregular e como solucionar os desafios da migração à nível europeu. Apesar de grande parte dos países europeus consideram a migração como algo negativo, tem sido comprovado que a migração traz benefícios para o país receptor: eles contribuem para o aumento da inovação, criatividade, empreendedorismo, diversificação, abrem mercados, a facilidade de movimento de pessoas e novas habilidades no mercado de trabalho. Por fim, os especialistas ressaltaram a importância de criar um modelo de parceria regional e governamental e, sobretudo, reafirmar o compromisso com proteção e promoção dos direitos humanos.

Há ainda outra forma de analisar a questão da migração. No painel: “Corrupção e migração”, teve destaque a discussão sobre a corrupção no contexto de migrações e os impactos na migração de gênero marcado de forma complexa de se enfrentar. Nesse contexto, mulheres são especialmente alvos assim como afetadas pelo aspecto específico de corrupção, por exemplo, a sextortion e o abuso sexual, muitos casos acontecem na travessia da fronteira seja por contrabandistas seja por autoridades. O representante da África chegou a mencionar que a falta de educação e falta de conhecimento em idiomas faz das mulheres mais vulneráveis.

Ademais, foi abordado o painel:” a liberdade da migração-Contrariando o ódio, informações falsas e equívocos”, observou-se uma sessão interativa com conversa com os palestrantes sobre como verificar fatos e  não ser enganado por informações falsas na internet ainda mais quando pretende-se migrar para algum país na condição de imigrante ou refugiado.

Assim, a última sessão discutiu “A vulnerabilidade durante o processo de migração: Uma perspectiva da saúde”, com o foco na situação de migrantes na Europa, Oriente Médio, África do Norte, e leste da África. Fortemente admitiu-se a necessidade de acesso de serviços sociais básicos, notadamente os serviços de saúde, até mesmo do ponto de vista da proteção dos direitos humanos e a igualdade de acesso.”

 

Tem interesse em ler mais sobre o tema migrações? Conheça o site Migramundo, especialista no assunto e parceiro do Instituto Global Attitude.

Para saber mais sobre a participação em fóruns globais pelo programa Diplomacia Civil, siga o nosso site: http://diplomaciacivil.org.br